
Peguei em varias folhas de papel e pensei sobre o tempo que passei ao teu lado. Durante quatro meses, compartilhamos sentimentos, alegrias e tristezas, compartilhámos a nossa vida.
Foram só quatro meses mas no entanto tenho a noção de que jamais alguém conseguirá ter de mim que tu tiveste, e que jamais alguém me fará feliz ao ponto que tu me fizeste. O tempo foi pouco mas intenso, como diz Pessoa: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis "
Listei todas as experiências boas e más que consegui lembrar.
Comecei recordar. Recordar do dia que te conheci, do nosso primeiro telefonema, no meu embaraço ao ouvir a tua voz, das nossas longas noites ao telemóvel e o dia que pela primeira vez disse que te amava.
Pensei também nas discussões que tivemos (não lembrei dos motivos pelos quais discutíamos, mas lembrei-me em como me sentia feliz quando conseguíamos conversar e resolver os problemas), das imensas saudades que sentia, do aperto que me dava nessas horas. Lembrei-me também quando fazíamos as pazes, essa sim era a melhor parte. Lembrei-me de todas as vezes que me fizeste sentir forte, necessária e especial. Lembrei-me das noites que passámos juntos, das manhãs que acordava ao teu lado, das vezes que dizias que me amavas. Lembro-me ainda, como se fosse hoje, do teu toque, do cheiro da tua pele, do calor do teu abraço e sobretudo do nosso amor. Do nosso primeiro encontro, do nosso primeiro beijo, do teu olhar, dos nossos momentos e do fim.
Enchi o papel com a nossa história, e, na medida em que as folhas iam ficando escritas, dei conta do quanto feliz fui a teu lado, dei conta do que aprendi ao longo deste tempo e dei conta que há muita coisa por explicitar ainda. Porque a nossa história é impossível de expor num papel, é impossível de ser explicada. Só vivida!
Hoje a saudade mata-me.